quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Monge Beneditino lança livro sobre Nulidade Matrimonial

No momento que a Igreja mapeia a celebração do matrimônio, sua natureza, fundamentações e também seu processo de nulidade Dom Anselmo Chagas de Paiva, Monge Beneditino do Mosteiro de São Bento do Rio de janeiro lança pela Paulus Editora o livro O sacramento do matrimônio e as causas de nulidade. A Igreja deseja que vida conjugal seja sempre uma expressão da felicidade, como sinal de paz e alegria, e que ela possa sempre estar aberta a novos horizontes em favor do bem e da perfeição.
D. Anselmo 4
Dom Anselmo Chagas de Paiva tem uma vasta experiência na questão da nulidade matrimonial a partir do trabalho que realiza no Tribunal Eclesiástico Interdiocesano da Arquidiocese do Rio de Janeiro exerce a função de Promotor de Justiça e Defensor do Vínculo. A obra com 216 páginas trata de questões como O matrimonio das Sagradas Escrituras, A dimensão sacramental do Matrimonio, O cuidado pastoral anterior a celebração do Matrimonio, As denominações canônicas do matrimônio e os problemas inerentes à sua celebração. O livro destaca os impedimentos, vícios do consentimento, a forma canônica do matrimonio a convalidação e a sanação do matrimonio e o processo de nulidade matrimonial e as suas etapas.
O matrimônio dá a garantia da estabilidade, da perseverança, da perpetuidade. Esta doação das partes deve ser o sinal de uma doação na verdade e, por isso, retorna a sentença ligada ao projeto original e pensado por Cristo: “Não separe o homem o que Deus uniu” (Mt 19,6). É um dever da Igreja, ao legislar sobre o matrimônio, iluminar o campo da verdade e fazer atingir o seu reflexo no mundo atual, tal como ela está concebida por Cristo. Essa verdade deve ser transmitida e ensinada a partir do ordenamento canônico. E o Direito Canônico é fonte de todo o imenso espaço que a Igreja dedica na construção da família, tendo com base os ensinamentos oriundos da própria Palavra de Deus.
– Pode acontecer que alguns homens e também algumas mulheres, aproximem-se do matrimônio com uma personalidade severamente perturbada, por uma cultura falsa ou com algum impedimento, ou até mesmo com critérios alheios à verdade do próprio matrimônio. Por esta razão surgiram as normas apresentadas pela Igreja que traremos ao longo dessas páginas, com o objetivo de melhor elucidar eventuais interrogações e trazer as necessárias respostas. – destaca Dom Anselmo.
A comunhão de toda a vida, constitui a essência do matrimônio, e requer uma comunidade de vida e amor que abrange todos os aspectos da existência humana e encontra na convivência conjugal a sua realização, no bem dos cônjuges e no bem dos filhos. É este o desejo da Igreja: que todos os casais possam viver a felicidade conjugal em uma união perfeita. Contudo, podem surgir dificuldades das mais variadas, contudo, mesmo diante de eventuais impossibilidades de continuar mantendo a união conjugal, aconselha-se a uma das partes a procurar o Tribunal Eclesiástico, presente em cada diocese, para que o caso seja estudado por peritos em direito canônico, visando apresentar uma definição acerca da validade ou não do casamento realizado. Mediante este parecer, poderá as partes contraírem novas núpcias, trazendo para ambos a alegria e o conforto interior de ver regularizada a sua vida familiar, sobretudo para aqueles que contraíram novas núpcias.
 O Sacramento do Matrimonio - Capa.indd
Serviço
O livro está à venda na Paulus Livraria – em todo o Brasil e também na Livraria “Lumen Christi” – Rua D. Gerardo, 68, Centro – Rio de Janeiro-RJ. Tel. 2206-8283.
Texto Ricardo Gomes

sábado, 8 de agosto de 2015

Jovem brasileira arranca sorrisos do Papa durante encontro do MEJ

Cidade do Vaticano (Rádio Vaticano) – O seu nome é Ana Carolina Santos Cruz, 19 anos, brasileira de São Paulo. O Papa Francisco, argentino, e curioso em saber dela quem era o melhor no futebol: se Pelé ou o compatriota Diego Maradona. Foi o exato momento em que a jovem, com a sua resposta, arrancou um largo sorriso do Santo Padre, durante o encontro do Movimento Eucarístico Jovem (MEJ) que, nesta sexta-feira (7), reuniu 2 mil representantes de diversas partes do mundo no Vaticano. Ana Carolina foi escolhida para fazer uma das perguntas ao Pontífice.
Em entrevista a Silvonei José, Ana Carolina afirma que vive uma missão no Brasil, com a dificuldade de agregar jovens e apresentar o MEJ para outras dioceses. E sua pergunta ao Papa foi conduzida justamente nesse contexto: em relaçãos aos obstáculos enfrentados por Francisco para ‘fazer o caminho do coração’. A expressão foi enaltecida durante a entrevista por Eliomar Ribeiro, SJ, responsável pelo MEJ no Brasil, que estava acompanhando a delegação brasileira composta por 40 jovens provenientes de 8 Estados
capa11202810_813792762062106_6087051853522262251_n11222291_813792785395437_2663680585423960098_n11800098_813792768728772_3847984767461827371_n11813477_813792772062105_4020077778031184176_n11825132_813792778728771_4752131677589579963_n11836806_813792765395439_7535363393486904533_n11846647_813792798728769_2532473801357356171_n11863326_813792775395438_4551063358176009538_n11866353_813792795395436_684782944774588361_n

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Francisco: casais de segunda união fazem parte da Igreja

AUDIÊNCIA GERAL
Cidade do Vaticano (Rádio Vaticano) – O Papa retomou nesta quarta-feira (5/8), na Sala Paulo VI, as Audiências gerais após um mês de pausa. Francisco prosseguiu com o tema da Família cujo contexto, desta vez, foi forjado a partir de uma nova questão sobre as “famílias feridas”.
capa
O Pontífice convidou a refletir como se pode cuidar das pessoas que, diante do “irreversível fracasso” do casamento, partiram para uma segunda união. “Estas pessoas não foram absolutamente excomungadas – não foram excomungadas – e não devem absolutamente ser tratadas como tal: elas fazem sempre parte da Igreja”, disse o Papa.
Olhar de mãe
“A Igreja bem sabe que tal situação contradiz o Sacramento cristão. Todavia, o seu olhar de mestra parte sempre de um coração de mãe; um coração que, animado pelo Espírito Santo, procura sempre o bem e a salvação das pessoas. É por isso que a Igreja sente o dever, ‘pelo amor da verdade’, de ‘discernir bem as situações’”, afirmou Francisco.
Olhar dos filhos
O Papa recordou ainda que, se a questão das segundas uniões passa a ser observada a partir da percepção dos filhos – um grande número de crianças e adolescentes que são os que mais sofrem, destacou o Papa –, torna-se ainda mais urgente “desenvolver nas nossas comunidades uma verdadeira acolhida das pessoas que vivem tais situações”, exortou o Pontífice.
“Como poderíamos recomendar a estes pais que façam tudo para educar os filhos à vida cristã, dando a eles exemplo de uma fé convicta e vivida, se os mantivéssemos longe da vida da comunidade?”, questionou Francisco.
“Não devemos adicionar outros pesos além daqueles que os filhos, nestas situações, já devem carregar” prosseguiu o Papa, afirmando ainda que “é importante que eles sintam a Igreja como mãe atenta a todos, sempre disposta a escuta e ao encontro”.
Igreja no tempo
Francisco também disse que, nas últimas décadas, a Igreja não ficou “insensível” e “preguiçosa” em relação à questão das segundas uniões graças ao aprofundamento levado adiante pelos Pastores e confirmado pelos seus predecessores.
“Cresceu muito a conscientização de que é necessária uma fraterna e atenciosa acolhida, no amor e na verdade, aos batizados que estabeleceram uma nova convivência após o fracasso do matrimônio sacramental”, destacou Francisco.
Por fim, afirmando que a Igreja deve estar com as portas sempre abertas, o Papa convidou todos os cristãos a imitar o exemplo do Bom Pastor colaborando com Ele nos cuidados às famílias feridas.
Nossa Senhora
Antes de conceder a Bênção Apostólica, o Papa rezou uma Ave Maria em homenagem a Nossa Senhora Salus Popoli Romani (Salvação do Povo Romano) celebrada hoje e venerada na Igreja de Santa Maria Maior, em Roma. Este é o primeiro templo dedicado no Ocidente a Nossa Senhora, onde o Papa constuma rezar sempre que parte e retorna de suas viagens apostólicas internacionais.
912345678

Transfiguração: Olhar para o céu e pés na missão

STA_1016 
Dom Roberto Francisco Ferreria Paz
Bispo Diocesano de Campos (RJ)
A Festa da Transfiguração celebra o mistério luminoso da revelação do Rosto de Cristo Ressuscitado aos três apóstolos (Pedro, João e Tiago), no Monte Tabor, onde Jesus permite a estes seguidores e testemunhas que constituíam as colunas da Igreja, o arroubo desta experiência mística de antecipação da sua Páscoa.
 É ao mesmo tempo uma Teofania do Pai e uma Cristofania, pois o Pai reconhece a Jesus como seu Filho muito amado, lembrando a manifestação divina no Batismo. Em muitos lugares recebe o nome de Solenidade do Santíssimo Salvador, uma vez que revela a identidade divina e salvífica de Jesus como o Filho do Homem, como acontece na nossa querida cidade de Campos, edificada sob o patrocinio e proteção do Divino Esplendor.
Ainda recorda a transformação luminosa de Moisés no Monte Horeb, a máxima intimidade de uma pessoa humana com Deus no Antigo e Primeiro Testamento. Para nós cristãos, faz parte de nossa vocação batismal ser transformados pela graça santificante, a vida de Deus em nossa vida. Por isso temos na missa nosso Tabor dominical, nossa Páscoa semanal, podendo experimentar este encontro transformante com o Ressuscitado como aconteceu com os três apóstolos mencionados.
Precisamos de momentos de contemplação gratuita e restauradora, para renovar a esperança e recomeçar a caminhada sob o sinal vitorioso da Páscoa de Jesus. O cristão não pode renunciar a sua vocação mística, uma vez que a missão não é propaganda e marketing vazio, mas partilha de nossa encontro pessoal com Jesus na comunhão da Igreja.
Neste mês que repensamos nosso projeto de vida, nosso estado e caminho específico de realizar a própria vocação, somos convidados a saborear e a permanecer com Ele um tempo no Tabor, para darmos uma resposta cada vez mais generosa, e plena a Jesus o Cordeiro Vencedor que nos chama a segui-lo pelas estradas da vida, nas periferias existenciais e sociais, com a coragem de uma fidelidade renovada e amorosa. Deus seja louvado!

“A espiritualidade saudável afasta alguns fatores que produzem ansiedade e depressão”

Entrevista com o sacerdote, médico e professor, Wenceslao Road, sobre seu livro “Psicologia e vida cristã. Cuidados da saúde mental e espiritual”

entrevusta
Sou responsável pela minha forma de ser? É possível sair da depressão? Como vencer a ansiedade? Existem meios para superar a dependência de drogas ou de internet? O que pode fazer a família de uma pessoa mentalmente doente? Quando é necessário um médico, um psicólogo ou um sacerdote? O sexo é uma invenção antiga, um jogo ou um tabu? Estas são algumas das perguntas que Wenceslao Vial – médico, sacerdote e professor de psicologia e vida espiritual na Universidade da Santa Cruz em Roma – responde em seu livro “Psicologia e vida cristã. Cuidado da saúde mental e espiritual”. ZENIT o entrevistou para aprofundar alguns aspectos desta questão.
***
ZENIT: Como é que se relaciona a saúde, a doença e a vida espiritual?
– Professor Vial: A saúde e a vida espiritual estão intimamente relacionadas, pela assombrosa unidade do ser humano, em suas dimensões física, psíquica e espiritual. A doença psicofísica afeta a esfera espiritual, embora não de um modo necessário, pois muitas pessoas com uma saúde debilitada crescem no seu relacionamento com os outros e com Deus, cheias de paz.
Para entender isso, é útil a comparação de Santo Thomas, que o espírito seria como um músico e o corpo seu instrumento. O músico, o espírito humano, embora não esteja doente, pode ser incapaz de interpretar a melodia, caso esteja desafinado ou quebrado o instrumento. Tantas vezes, no entanto, o espírito supera as limitações do instrumento e toca de uma maneira esplêndida. Nos casos graves, em que este espírito é incapaz de manifestar-se, como em algumas demências e patologias com significativo comprometimento da inteligência e da vontade, uma vida espiritual até então rica pode continuar a dar frutos, embora não visíveis externamente. Não só a pessoa doente se une mais a Deus e cresce, mas também os que cuidam dela e atendem com carinho. Também existe uma doença que afeta o espírito: abandonar a busca do sentido da existência ou negá-lo a priori; deixar de perguntar-se por que nós existimos em um universo ordenado, excluir arbitrariamente a Deus e achar-se auto-suficiente. São essas as raízes do pecado, a incoerência vital que afeta o bem-estar geral da pessoa. Como é bom cuidar do corpo e da alma para servir mais e melhor a Deus e aos outros.
ZENIT: Até que ponto estamos condicionados por nosso caráter?
– Professor Vial: o caráter é o conjunto de aspectos do modo de ser adquiridos com educação, na família, no colégio, no ambiente em que vivemos, os acontecimentos positivos ou negativos. O termo deriva das incisões que os gregos faziam nas suas moedas. Deixavam nelas uma marca profunda, indelével. Assim é o caráter, mas nós não somos um pedaço de metal inerte.
A força do espírito humano e a ação da graça são capazes de modificar a nossa maneira de ser. Se não, como poderia o cristão se assemelhar cada vez mais a Cristo? É uma tarefa que requer tempo, todo o tempo…, porque a personalidade é formada até ao fim da vida. Para alterar o modo de ser é preciso levar em conta outros fatores, como temperamento herdado, tendências. Mas não vale a desculpa: “Meus pais eram assim”, ou, “são coisas de meus instintos”. O ser humano transforma os instintos em tendências –porque está ciente do objetivo para o qual se dirige – e os orienta com inteligência e vontade. No desafio por melhorar, não estamos sozinhos: muita gente nos ajuda com o seu exemplo e seus conselhos; e Deus atua até mesmo no mais escondido do nosso ser, até no inconsciente, se o deixamos. A formação do caráter segue o ditado: se seu projeto dura alguns meses semeie arroz, se dura anos plante árvores, se dura toda uma vida forma homens.
ZENIT: A depressão, a ansiedade, o estresse, problemas tão atuais, podem ser combatidos a parti da vida espiritual?
– Professor Vial: Mais de 15 por cento da população sofre de alguma forma de depressão e até um 25% experimenta transtornos de ansiedade. O estresse é geralmente baseado em ambos fenômenos. Este termo emprestado da engenharia de materiais, refere-se à pressão que afeta o nosso corpo e o cansa. Até os mais fortes podem quebrar-se com o estresse mantido, como o ferro quebra quando é forçado por um tempo.
Os recursos espirituais ajudam a tratar e prevenir muitos problemas psicológicos, como demonstrado por estudos científicos. A espiritualidade saudável afasta alguns fatores que produzem ansiedade e depressão, sem esquecer que as doenças mentais têm causas múltiplas, muitas delas involuntárias. É lógico, porque a vida de relação com Deus dá um significado à própria existência, que dá estabilidade, paz,  serenidade, especialmente ao considerar-se nas mãos de um Pai que não brinca cegamente com os destinos das pessoas. Dentro das “armas”, destaca o sacramento da confissão: ser perdoados, saber-se perdoados e perdoar possui curativos grandes, muito além do humanamente explicável.
Se, por qualquer motivo, ocorre uma ruptura, a vida espiritual ajuda a suportar e tomar medidas para reduzir na medida do possível o sofrimento e encontrar um significado para ele. Entre estas medidas está a consulta médica, nos casos de depressão e transtornos de ansiedade.
ZENIT: Em seu livro também se fala sobre transtornos da sexualidade. Como afrontá-los a partir da fé?
– Professor Vial: Para lidar com a realidade humana é preciso compreendê-la com a razão. Não é necessário, portanto, a fé para resolver os problemas relacionados com a sexualidade. Diante de uma doença ou transtorno, o fiel irá a um médico experiente, como qualquer outra pessoa com sentido comum. Gostaria, no entanto, de mencionar dois fenômenos que hoje dificultam a compreensão da sexualidade a partir da razão: a ideologia de gênero e a banalização do tema.
O primeiro é ilustrado por um evento recente. Em um museu em Viena, um grupo de meninas e meninos de uns sete a nove anos contemplavam o quadro da infanta Maria Teresa pintado por Velázquez. Me diverti ao ver que a professora oferecia para as menininhas um vestido de época, semelhante ao da princesa, com uma espécie de armadura metálica sobre a qual se coloca a saia. As meninas iam provando-o e tirando fotos com orgulho. Em um certo momento, ofereceu-o também a um menino, que se resistia, e disse-lhe: “vai, assim você pode ser como Conchita Wurst” (cantora transgênera). Fatos como este, às vezes não são piadas, mas doutrinação de crianças que ainda não têm a capacidade de discernir. Tenta-se negar as diferenças entre homem e mulher, colocando em dúvida uma identidade essencial. O mesmo Freud ficaria surpreso ao ver que o conceito de sexo volta a ser um tabu, e é substituído por “gênero”, que mais se assemelha a seu sinônimo “tecido”, que pode-se ter ou não e mudar à vontade.
O segundo fenômeno, mais antigo, é a banalização da sexualidade, o que leva muitos jovens a não aguardar o momento certo para começar a prática sexual. Muitos psicólogos advertem os riscos destes comportamentos. Queimar as etapas com muita precocidade faz com que diminua não só o amor, mas o mesmo prazer, que acaba por desaparecer. Como a terra explorada precisa de muita quantidade de produtos para voltar a ser fértil, quem abusa do seu corpo como mero objeto de prazer, torna-se escravo de um imparável consumo de estimulantes, pílulas, imagens… Nesta base, surgem problemas ou crimes como a pornografia, a prostituição, a pedofilia: “a dança em torno do porco de ouro”, nas palavras de Viktor Frankl.
Como enfrentar essa situação a partir de uma visão de fé? Com o esforço para entender melhor a natureza humana, rezando pela família e a identidade, com otimismo. A fé não é essencial para compreender a sexualidade, mas acreditar em Deus e no destino eterno do homem ajuda a respeitar o sentido do corpo e esperar o amor no matrimônio.
ZENIT: Por que é importante que os sacerdotes, educadores, formadores de centros religiosos e diretores espirituais sejam capazes de conectar a psicologia com a vida espiritual?
– Professor Vial: Um conhecimento profundo do ser humano implica saber psicologia, sem necessidade de ser psicólogos: será a ciência de um bom pai ou mãe de família. Muitas vezes, quem sofre sentimentos patológicos de culpa, se investiga o desespero ou a angústia, não irá primeiramente a um médico ou psicólogo, mas a um amigo, a um professor, a um sacerdote. Daí a importância de estar preparados e saber encaminhar, se o caso exigir, para outro tipo de assistência.
Conhecer bem o “instrumento”, mencionado no começo, permite orientar melhor para que seja tocado da maneira certa. Por isso, quem acompanha outros no seu caminho rumo à maturidade humana e espiritual tem a responsabilidade de formar-se na compreensão da pessoa e da moralidade. Assim, darão os conselhos mais precisos e saberão discernir e encaminhar. A autêntica autorrealização só é possível quando se escolhe e atua de acordo com o bem moral.
ZENIT: Como saber se é necessário recorrer a um médico, a um psicólogo ou a um sacerdote?
– Professor Vial: Em alguns casos é simples como quando a pessoa tem dor de estômago, ou sofre um delírio. Em outros, é tão complexo que não é fácil responder em poucas linhas. Em muitas ocasiões é útil o médico, que tratará das doenças; o psicólogo, que ajudará a descobrir e superar conflitos, a conhecer possíveis pensamentos distorcidos; e o sacerdote, que mostrará a Cristo como Modelo e será instrumento para que a pessoa receba a graça de Deus. Não existem receitas sempre eficazes, porque cada pessoa é única e irrepetível.
Porém, é possível dar alguns conselhos. O primeiro é compreender qual é o problema e a sua raiz de fundo que explica o sintoma: muitas vezes alguma má ideia de nós mesmos, considerar-nos inúteis, acontecimentos passados que atormentam, a incapacidade de perdoar. Caso não se consiga com rapidez chegar às causas, decifrar e aliviar os desconfortos, será mais importante pedir ajudar especializada e deixar-se guiar pelas pessoas que nos amam. Se existem sintomas como a falta de vontade, a apatia, o excesso de nervosismo, que se prolongam por semanas, apesar de seguir os conselhos de um sacerdote ou diretor espiritual, pode ser prudente a consulta a um médico ou psicólogo.
ZENIT: Como diferenciar os problemas psicológicos das dificuldades espirituais?
– Professor Vial: No livro eu tentei dar sugestões e soluções práticas para enfrentar diferentes situações, que nem sempre é possível diferenciar. Um problema psíquico pode desencadear problemas espirituais e um problema espiritual pode promover distúrbios psicológicos. A oração, o exame de consciência sincero, a ajuda de um diretor espiritual que escuta com paciência, consegue normalmente chegar ao fundo.
É chave avaliar os aspectos do modo de ser, para determinar se são normais, se podem ser enfrentados como defeitos, ou se existe um transtorno de personalidade que exige um especialista. Se existem dificuldades importantes de perfeccionismo obsessivo, escrúpulos, impulsividade, emotividade, susceptibilidade, ciúmes, irresponsabilidade, abuso de substância ou álcool, excentricidades, é mais provável que seja necessário um médico ou psicólogo especialista. O ponto que divide o normal do patológico não é claro. É possível considerar que um traço é anormal, quando a pessoa sofre e causa sofrimento, pelo seu modo de ser ou pelas consequências.
A vida cristã inclui necessariamente conceitos psicológicos e espirituais. Apoia-se na identidade pessoal, saber quem é quem, reconhecer-se limitado e finito, e a fé em que somos criaturas. Sobre esta realidade assenta-se uma autonomia não absoluta, que permite escolher os meios para o projeto de existência, que só é possível com esperança: ou seja, se acreditamos em uma missão e confiamos que vamos alcançar a meta. No auge está a autoestima e a caridade: só quem sabe que é importante desenvolve-se plenamente. O maior motivo de autoestima é saber-se queridos por Deus, transformados em filhos seus! Esta convicção permite sair de si mesmo rumo aos demais, querer e compreender a todos.
Por Rócio Garcia
Agência Zenit 

Jovens do Movimento Eucarístico (MEJ) encontrarão Francisco

Cidade do Vaticano (Rádio Vaticano) – Há cem anos da fundação do MEJ (Movimento Eucarístico Jovem), realiza-se em Roma a partir desta quarta-feira (5/8) um Encontro Internacional que culminará com a audiência com o Papa Francisco na sexta-feira (7/8). O Movimento, promovido pelos jesuítas, é o braço jovem do Apostolado da Oração. Presente em 56 países dos cinco continentes, conta com mais de 1 milhão e cem mil participantes com idades entre 5 e 25 anos. “Para que a alegria esteja convosco” é o título do encontro apresentado esta terça-feira em Roma.
mej
Serão 1.500 jovens de 38 delegações nacionais que irão protagonizar uma semana de intensa programação em Roma, marcada por encontros, orações, conferências, peregrinações e também de festa, já que a alegria é o tema em torno do qual se realiza o encontro. Cada dia será caracterizado por um tema: de “A alegria de nos encontrarmos juntos”, passando pela “A alegria da missão”, até “A alegria de ser povo de Deus”. O dia 7 de agosto será dedicado ao encontro com as primeiras comunidades cristãs, com a visita à Catacumba de São Calixto, mas acima de tudo será o dia do encontro com o Papa Francisco, a quem os jovens farão algumas perguntas. Sobre este encontro, a Rádio Vaticano conversou com o Padre Jesuíta Loris Piorar, responsável pela MEJ Itália:
“Nestas perguntas os jovens se mostrarão desejosos de profundidade, de intimidade e de profundidade. As perguntas serão, por exemplo, como descobrir a profundidade da Eucaristia. São questionamentos que não pedem noções, não pedem somente afirmações, mas pedem paradoxalmente ao Santo Padre para contar quase que um pouco de si mesmo, no sentido de poder dizer aquilo que realmente está em seu coração. São perguntas que desejam entrar em intimidade com o Santo Padre. Uma outra pergunta, que será sobre jovens e a família, não será sobre o que é a família, mas sobre como eu jovem posso descobrir na família um lugar de amor e como eu posso amar na família. Ir um pouco às raízes, neste sentido, às raízes daquilo que é a alegria, daquilo que é a Eucaristia, daquilo que é a missão hoje. O que é muito bonito é que provavelmente cada país colherá estas respostas de maneira diferente, justamente porque a missão para cada país, segundo onde se encontra, é vivida e percebida em maneira diferente. Será muito interessante como o Santo Padre, consciente de quem tem diante de si, poderá responder. Para nós será também uma coisa muito bonita, pois estas perguntas que escolhemos são as perguntas que fazem parte, num certo sentido, de todo o MEJ mundial, na preparação dos encontros. As respostas do Santo Padre serão, nem certo sentido, quase um texto de referência para o MEJ”.
RV: Quais são os grandes desafios para os jovens? Quais são os seus medos?
Padre Loris Piorar“O grande desafio é poder viver aquilo que eu vivo em uma comunidade que me compreende, que me permite partilhar, que me escuta, em uma situação externa em que talvez este não seja o critério fundamental. Como ter juntas estas duas dimensões? E penso que este seja o grande desafio, talvez na realidade o grande desafio da missão para os nossos jovens seja poder dizer: como eu testemunho a minha fé, a minha partilha, a minha interioridade, a minha intimidade, também em um mundo que talvez não somente não faça disto um ponto de força, mas até mesmo faça dele um ponto de fraqueza e de fragilidade. Estes jovens do MEJ são jovens que têm atenção à própria fragilidade, à própria sensibilidade, porém, como vivê-la fora do movimento? Eles sabem que no movimento existe um espaço de partilha, mas como vivê-la fora e como encontrar um justo equilíbrio para isto? Penso que este seja um dos grandes medos que eles têm”.
RV: Se fala de 1.500 jovens de 38 delegações, provenientes portanto dos países os mais diferentes possíveis. Estarão ausentes, infelizmente, delegações de países que vivem dramáticas situações sócio-políticas. E isto talvez seja, realmente, a grande dor…
Padre Loris Piorar  “Sim, isto é, num certo sentido, um pouco o amargo na boca para aqueles que gostariam de vir, mas que por condições exteriores a eles, devem permanecer em casa. Alguns nos escreveram com grande tristeza, especialmente de alguns países africanos, dizendo: Nós que gostaríamos de ir e fazer esta experiência, não podemos, pois existem tantos temores, mesmo em relação a nós…”. Temores no sentido de que é sempre um jovem vindo de um certo país que vem para a Europa, e às vezes as próprias embaixadas criam um pouco de dificuldades, porque um jovem que vem de um país que vive uma situação dificilíssima, é compreensível que quando chega na Europa possa também desejar, e isto já aconteceu na história, mesmo nestes eventos assim grandes, de ficar. O que é compreensível para  alguém que vive em uma situação difícil e não mais tranquila como a nossa. Um momento muito bonito será no sábado, 8 de agosto, quando estarão presentes alguns jovens refugiados do Centro Astalli dos Jesuítas, que contarão as suas histórias a todos os outros jovens. Estávamos em busca de um grande testemunho, mas um testemunho que unisse todos, era muito difícil. Neste sentido, o refugiado une todos os países, porque todos os países vivem esta dimensão do refugiado, do choque de culturas, das dificuldades de acolhida. Haverá também um jovem que desembarcou em Lampedusa e este será um momento realmente muito bonito”.
Em sintonia com a Igreja, o Movimento Eucarístico Jovem (MEJ) é um movimento que se propõe oferecer uma formação cristã para crianças, adolescentes e jovens, nos níveis: espiritual, humano, pessoal e sócio comunitário. O MEJ trata-se de uma ramificação da associação do Apostolado da Oração, sendo a sua seção voltada para os jovens católicos. Os seus membros são chamados, no Brasil, de “mejistas” e os grupos de cada local são chamados “Centros” ou “Núcleos”.

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Versão brasileira do Hino da JMJ em fase final de execução

Inscrições para a JMJ 2016 já estão abertas
04/08/2015 16:09


Cidade do Vaticano (RV) – Os Padres Joãozinho e Zezinho, incumbidos pela CNBB de realizar uma versão brasileira para o Hino oficial da Jornada Mundial da Juventude de Cracóvia, no ano que vem, trabalham para concluir os trabalhos ainda este mês.
Padre Joãozinho disse, em entrevista ao colega Silvonei José, que também será gravado um clip oficial e que os músicos que estão realizando a versão vieram de paróquias.

Clique acima para ouvir um trecho do Hino na voz de Padre Joãozinho.

Para o Papa, renovação na Igreja passa pelo ministério sacerdotal

papa renova
Cidade do Vaticano (Rádio Vaticano) – Um pastor segundo o coração de Deus. A Igreja celebra neste 4 de agosto a memória de São João Maria Vianney, padroeiro de todos os párocos do mundo. Ainda hoje, há 150 anos de sua morte, o Santo Cura d’Ars é uma figura de grande atualidade para os sacerdotes e em muitos aspectos recorda o estilo pastoral do Papa Francisco. A este respeito, a Rádio Vaticano entrevistou o Cardeal Beniamino Stella, Prefeito da Congregação para o Clero:
“A meu ver o Cura d’Ars é uma figura que já entrou na vida da Igreja e sobretudo deveria incidir com a sua própria história, com os eu ensinamento na vida dos religiosos de hoje. Em que sentido? Foi um pastor extremamente próximo ao rebanho, no sentido que partilhou dele a história, partilhou dele também um pouco da pobreza, que eram típicos daquele tempo. Foi um grande exemplo para este rebanho, sobretudo com a sua simplicidade de vida, com  a sua pobreza pessoal. Simplicidade e pobreza são duas virtudes que têm uma grande atualidade, também para o mundo de hoje. O sacerdote que se apresenta humilde, pobre, simples, eu diria que tem um algo a mais para se fazer entender”.
RV: São João Maria Vianney era um pároco que vivia em meio ao povo de Deus. Pensemos também às tantas horas passadas no confessionário. O Papa Francisco lembra um pouco com o seu estilo pastoral justamente a figura do Cura d’Ars…
“Eu diria que uma das mensagens substanciais, importantes do Papa Francisco, é a mensagem sobre a misericórdia. Exortou os padres a tornarem-se, a serem confessores com o coração aberto à acolhida dos pecadores. Justamente o Cura d’Ars nos ensinou esta arte de receber os pecadores com o coração aberto. O interessante é que neste mesmo âmbito o Papa nos ensina a assumir também nós, como sacerdotes, o hábito da Confissão. Vimos o Papa ajoelhar-se, em março passado, durante a liturgia penitencial, diante de seu confessor, na Basílica de São Pedro. Eu penso que seja uma imagem que deve ser muito cara para nós. O Papa disse – e o repete sempre – “Eu sou um pecador”. E todo pecador tem necessidade de ser purificado e de encontrar a misericórdia do Senhor. Eu diria que um grande exemplo que aproxima o Santo Cura d’Ars e o Papa Francisco é a pregação sobre a misericórdia e o exercício da misericórdia pelos outros e para si mesmo”.
RV: O Ano da misericórdia está próximo. Que frutos poderá dar um ano assim tão especial, em particular aos sacerdotes em seu ministério?
“Os sacerdotes hoje trabalham tanto. Assim, gostaria que este Ano da Misericórdia desse um trabalho a mais aos sacerdotes, mas não um trabalho burocrático, não um trabalho administrativo, mas um trabalho realmente sacerdotal, um trabalho justamente no sentido profundo de receber os frutos deste encontro com deus na vida litúrgica, no Sacramento da Reconciliação, e também uma necessidade para aprofundar a fé. Tenho confiança de que o Ano jubilar dará trabalho aos sacerdotes, porém um verdadeiro trabalho sacerdotal, que os canse mais, no sentido de um cansaço salutar. Cansaço, compromisso, sacrifício no sentido que Deus quer e que o Papa desejo”.
RV: Levando em consideração as conversas que o senhor pode ter nos encontros com o Santo Padre, o que Francisco tem mais a peito em relação aos sacerdotes?
“Eu recordo um encontro com o Papa aqui na Congregação, no mês de maio, quando o Papa disse: “Se fala tanto da reforma da Cúria Romana – o Papa estava visitando os dicastérios da Cúria Romana – mas a reforma da Cúria está ligada a uma reforma da Igreja, a uma renovada redescoberta do Evangelho. E a esta renovação da Igreja, se chega somente por meio do ministério dos sacerdotes”. Assim, voltamos à questão de sempre: o peso dos sacerdotes na vida eclesial. O Papa deseja muito a autenticidade da vida. O Papa nos dá um grande exemplo de proximidade ao povo cristão. O sacerdote tem no Papa Francisco um verdadeiro modelo, um modelo próximo. Existe na vida do Papa Francisco, em seu estilo de ser bispo e de ser sacerdote, algo que une e recorda a todos os sacerdotes da Igreja algumas exigências primordiais, substanciais: vida de oração, disciplina pessoal, dedicação apostólica, amor pelo rebanho, estar com o rebanho…pastores do rebanho, fieis, humildes, simples. As pessoas escutam aquilo que dizemos, olha como agimos, as nossas ações, mas sobretudo considera aquilo que somos!”.

A Comunidade São João Batista de Funil, Cambuci ( Paróquia São Sebastião - Aperibé) vivenciou entre os dias 20 e 27 de julho uma semana fervorosa de orações com o Cerco de Jericó.
Uma participação expressiva de fiéis, os dias foram vivenciados com muito espírito carismático nas Adorações, Missas, Celebrações e Voltas.
Informações: O PRECURSOR





















Padre Reginaldo Manzotti recebe título de Embaixador da Pastoral da Pessoa Idosa

No próximo domingo, dia 02 de agosto, Dom José Antônio Peruzzo, Arcebispo Metropolitano de Curitiba e Presidente da Pastoral da Pessoa Idosa, e a coordenadora nacional da Pastoral, Ir. Terezinha Tortelli, oficilalizaram  padre Reginaldo Manzotti como embaixador da instituição, e a posse aconteceu  na Santa Missa das 18 horas, no Santuário Nossa Senhora de Guadalupe, em Curitiba (PR).
capa11222521_1049699181707465_5469753698908961617_n11248161_1049699271707456_3125246795177210126_n11781760_1049699408374109_5296884203228047675_n11796455_1049699341707449_2448052732376050127_n11800377_1049699251707458_4874570741537994050_n11811454_1049699308374119_551637671792749313_n11813331_1049699255040791_8329534973916093772_n11817127_1049699195040797_6407787615750718493_n11822316_1049699305040786_8109039576189346980_n11822328_10153126106887057_6824955777840929436_n11825104_1049699411707442_4307960588260667764_n11828548_10153126182327057_2723876366381068394_n11828562_10153126058427057_3693818917360082338_n
Fundada em 2004, a Pastoral da Pessoa Idosa é um organismo da CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, que tem por objetivo assegurar a dignidade e a valorização integral das pessoas idosas, através da promoção humana e espiritual, respeitando seus direitos, num processo educativo de formação continuada destas, de suas famílias e de suas comunidades, sem distinção de raça, cor, profissão, nacionalidade, sexo, credo religioso ou político, para que as famílias e as comunidades possam conviver respeitosamente com as pessoas idosas.
“Como o Papa Francisco ressalta, os extremos da sociedade, como as crianças e os idosos, são descartados claramente por não “produzirem”. Essa é uma preocupação da Igreja e tanto eu, quanto a Associação Evangelizar é Preciso, queremos em unidade ajudar os organismos e instituições, como a Pastoral da Criança e a Pastoral da Pessoa Idosa, com os menos favorecidos, os excluídos, como os idosos infelizmente são tratados atualmente. ” Padre Reginaldo Manzotti.
Edição: Ricardo Gomes com informações da Pastoral da Pessoa Idosa